Modelo em Seul: Ellie conta como é a vida na Coreia
Por Alina Pavlushova · Instrutora de modelos

Como é trabalhar de modelo em Seul além dos ensaios bonitos? Conversei com Olga Martynova, que trabalha com o nome de Ellie, sobre seu contrato na Coreia do Sul. Falamos das primeiras impressões, da rotina de castings, da barreira do idioma, da saudade de casa e do que a ajudou a se adaptar a um novo país.
Este é o relato pessoal dela: de uma oportunidade inesperada de trabalhar na Coreia à vida cotidiana em Seul.
Ellie no Instagram: @mmr.t111.
Como surgiu seu contrato em Seul?
Olga, você já tinha vontade de ir para a Coreia ou a oportunidade apareceu de surpresa?
Para ser sincera, nunca imaginei que conseguiria entrar em uma agência que me ajudasse a encontrar trabalho no exterior. Então, quando tudo se encaixou e me ofereceram um contrato na Coreia, fiquei muito feliz, mas ainda custava acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Foi tudo completamente inesperado.
Como você se sentiu no primeiro dia em Seul?
Eu estava muito nervosa, mas incrivelmente feliz ao mesmo tempo. No táxi, a caminho do apartamento, ainda não conseguia assimilar que estava em outro país, totalmente sozinha. Era uma sensação muito diferente. Eu sabia que estava começando uma nova fase.
Como era um dia típico durante o contrato?
Toda noite, recebíamos no grupo de mensagens a programação do dia seguinte, com os horários e os detalhes dos castings. De manhã, eu acordava, tomava banho, tomava café e ia para o escritório. De lá, nos levavam aos castings. Podíamos fazer vários em diferentes partes da cidade no mesmo dia.
Depois, nos levavam de volta ao escritório e o resto do dia era livre. Geralmente, eu saía para caminhar e conhecer Seul. Às vezes, ficava no apartamento, descansava e ligava para minha família e meus amigos.
Então, cada dia era um pouco diferente. Eu gostava muito de ter tempo, além do trabalho, para conhecer a cidade e me acostumar a viver em outro país.

O que era diferente no trabalho de modelo na Coreia?
O jeito de trabalhar aqui é um pouco diferente, assim como as expectativas em relação às modelos. No começo, tudo parecia estranho porque era novo para mim. Mas eu tinha interesse em experimentar um mercado novo e entender como as coisas funcionavam na Coreia.
Você sentiu pressão em relação às suas medidas?
Existem muitas histórias sobre medidas e exigências rígidas para modelos na Coreia. Como foi para você?
Sinceramente, eu não passei por isso. Tentei manter as medidas que tinha quando cheguei à Coreia, então talvez isso simplesmente não tenha me afetado. Não senti muita pressão nesse sentido.
O que foi mais difícil em morar longe de casa?
No começo, tudo ao mesmo tempo: a barreira do idioma, a comida desconhecida e a distância de casa e das pessoas próximas. Eu precisava de tempo para me acostumar a um país novo e a outro ritmo de vida.
Foi difícil no início, mas, aos poucos, fui me adaptando. Me acostumei à rotina e à cidade, conheci pessoas e fiz amigos. Com o tempo, tudo ficou muito mais fácil e confortável.

Do que você mais gostou na Coreia?
Provavelmente, acima de tudo, da sensação de confiança. Eu adorava poder caminhar pela cidade e me sentir segura. Também me impressionaram a beleza ao meu redor e a gentileza das pessoas que conheci. E, claro, as comemorações: tinham uma atmosfera muito especial.
Em algum momento você quis largar tudo e voltar para casa?
Não, nunca me senti assim. Claro que às vezes sentia saudade de casa e das pessoas próximas, mas nunca quis largar tudo e ir embora. Eu queria estar na Coreia, trabalhar e ganhar experiência, então queria ir até o fim.
Que mito sobre trabalhar de modelo no exterior você questionaria?
Provavelmente a ideia de que é só ensaio bonito, desfile e viagem. Na realidade, a maior parte do tempo é gasta em castings, esperas e deslocamentos. Chegar a um ensaio exige trabalho, e nem todo casting vira um trabalho contratado. Antes de ir, eu não tinha percebido quanto espaço isso ocupa na vida de uma modelo.

O que você diria a quem sonha com um contrato na Ásia?
A alguém que quer tentar, mas tem medo de dar o primeiro passo?
Eu também não tinha certeza de que daria certo para mim, e também estava nervosa. Mas, se você tem a chance de tentar realizar seu sonho, por que deixar essa oportunidade passar?
Obrigada à Ellie por conversar com tanta sinceridade. Seu relato mostra quanto da vida profissional de uma modelo acontece entre os ensaios: castings, deslocamentos, esperas e a adaptação gradual a uma nova rotina.
Para conhecer melhor o mercado coreano, comece pelo meu guia para trabalhar de modelo na Coreia do Sul. Se ainda está escolhendo para onde ir, leia minha comparação entre o mercado de modelos na China e na Coreia.
Sonha com uma carreira de modelo, mas não sabe por onde começar? Saiba mais sobre a formação de modelos e vamos conversar sobre seu primeiro passo. Às vezes, basta uma conversa para começar.